As estatísticas mais recentes da segurança pública em São Paulo acendem um farol de alerta e, ao mesmo tempo, de esperança. Em 2025, as polícias do estado realizaram a prisão de impressionantes 18,5 mil agressores por violência doméstica. Este número representa um salto significativo de 31,2% em comparação com o ano anterior, 2024, quando 14,1 mil infratores foram detidos. Os dados, compilados pela Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP), refletem um esforço conjunto e aprimoramento das estratégias de combate a um dos crimes mais complexos e desafiadores da sociedade brasileira: a violência contra a mulher.
Esse aumento substancial nas prisões não pode ser interpretado isoladamente. Ele é, em grande parte, resultado de uma série de inovações e da ampliação dos canais de denúncias, que buscam desvendar a face oculta da violência que muitas vezes não chega ao conhecimento das autoridades. Por anos, a subnotificação tem sido um dos maiores entraves na luta contra a violência doméstica, com um número expressivo de vítimas silenciadas pelo medo, pela dependência ou pela falta de confiança nos mecanismos de proteção.
O Desafio da Subnotificação e a Resposta do Estado
A gravidade do cenário é sublinhada por outro dado alarmante divulgado pela SSP: em 2024, das 270 vítimas de feminicídio registradas no estado de São Paulo, 72% não haviam feito nenhum boletim de ocorrência anterior e apenas 22% tinham solicitado medida protetiva. Esses números revelam a urgência em fortalecer a rede de apoio e encorajar as denúncias, pois a falta de registro prévio impede uma ação preventiva e muitas vezes trágicos desfechos. É neste contexto que as novas ferramentas e abordagens ganham particular relevância.
A resposta do governo paulista para este panorama ganhou um novo impulso com a consolidação do sistema SP Mulher, lançado em 2023. Conforme destaca o secretário de Segurança Pública, Osvaldo Nico Gonçalves, a iniciativa foi criada para integrar dados, padronizar atendimentos e fortalecer a atuação conjunta da Polícia Militar, Polícia Civil e Polícia Técnico-Científica. A integração de esforços e informações entre as diferentes forças de segurança é crucial para garantir uma resposta mais rápida e eficiente, desde o registro da ocorrência até o acompanhamento da vítima e do agressor.
Tecnologia e Monitoramento como Ferramentas de Proteção
Um dos pilares dessa nova estratégia é a ampliação do monitoramento eletrônico de agressores. O uso de tornozeleiras eletrônicas em casos de violência doméstica, instituído em setembro de 2023, tem se mostrado uma ferramenta eficaz na fiscalização do cumprimento das medidas protetivas. Desde sua implementação, 712 agressores já foram monitorados, com 189 permanecendo ativos. Mais do que apenas um número, essa tecnologia possibilitou a condução de 211 agressores à delegacia por descumprimento, resultando na prisão de 120 deles, o que demonstra a capacidade de resposta imediata e a dissuasão que o monitoramento oferece.
O aplicativo SP Mulher Segura também surge como um elo vital nessa corrente de proteção. Com mais de 45,7 mil usuárias, a plataforma já registrou 9,6 mil acionamentos do botão do pânico, permitindo o envio imediato de policiais por georreferenciamento. A capacidade de cruzar dados de localização de vítimas e agressores monitorados garante uma resposta ágil em situações de risco iminente, transformando a tecnologia em um escudo para quem mais precisa.
Acolhimento Especializado: O Papel da Cabine Lilás
No âmbito da Polícia Militar, a Cabine Lilás representa um avanço significativo no acolhimento das vítimas. Ao ligar para o número de emergência 190, a vítima de violência é atendida por uma policial feminina, especialmente capacitada para oferecer acolhimento e orientações imediatas. Essa abordagem humanizada é fundamental para romper o ciclo de violência, pois muitas mulheres se sentem mais seguras e à vontade para relatar suas experiências a uma figura feminina que compreenda as nuances de sua situação.
Essas policiais não apenas atendem denunciantes – especialmente aquelas com medidas protetivas –, mas também desempenham um papel ativo no monitoramento de agressores com tornozeleiras eletrônicas, garantindo que não se aproximem das ex-companheiras. Conforme explica o coronel Carlos Henrique Lucena, coordenador operacional da PM, “A Cabine Lilás centraliza em um único lugar todas as iniciativas do estado de proteção à mulher. As mulheres que recebem orientação pela Cabine Lilás acabam registrando o boletim de ocorrência. Esse é o primeiro passo para acabar com o ciclo da violência”. A ação especializada contribui diretamente para transformar o medo em denúncia, e a denúncia em ação legal, fortalecendo a rede de proteção às mulheres em São Paulo.
Os avanços na proteção das mulheres em São Paulo são notáveis, refletindo um compromisso crescente das autoridades em combater a violência e garantir a segurança. No entanto, a luta está longe de terminar. A conscientização da sociedade, a educação sobre relacionamentos saudáveis e o constante aprimoramento das políticas públicas são fundamentais para erradicar de vez a violência contra a mulher. Fique por dentro de todas as notícias e análises sobre este e outros temas relevantes. Acompanhe o RP News para ter acesso a informações de qualidade, reportagens aprofundadas e um compromisso inabalável com a verdade e a relevância social.
Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br