Uma megaoperação cumpre 16 mandados no noroeste paulista na quinta-feira (28) para desarticular um esquema criminoso bilionário no setor de combustíveis comandado por integrantes da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC).
A força-tarefa, nomeada Carbono Oculto, acontece em Catanduva, com seis mandados, São José do Rio Preto, com cinco, Ariranha, com três, e Marapoama (SP), com dois. Na região de Bauru (SP), Barra Bonita (SP) também foi alvo de um mandado de busca e apreensão em endereço relacionado a uma pessoa física.

Em Ariranha, a Receita Federal confirmou que a Usina Virgolino é alvo da operação. Em nota, enviada na manhã desta quinta-feira à TV TEM, os advogados de defesa da usina disseram que o local foi alvo de um mandado de busca uma vez que fez um contrato com uma empresa investigada
O advogado da usina também informou que contribui com as autoridades e que as operações financeiras foram informadas e aprovadas pelo Poder Judiciário, de acordo com a legislação vigente.
A Usina Itajobi, que fica em Marapoama, também é alvo da operação. A TV TEM tenta contato com o advogado de defesa. Em Catanduva também foi cumprido um mandado de busca em um condomínio, onde mora o principal chefe do esquema no noroeste paulista.

O suspeito é dono de um comércio que está sendo construído em Catanduva para lavagem de dinheiro do PCC. Em Rio Preto, os mandados foram cumpridos em dois condomínios de luxo, em uma empresa distribuidora de combustíveis e outra empresa de terminais da área logística do transporte de combustíveis.
O nome das empresas não foi revelado. As irregularidades foram identificadas em diversas etapas do processo de produção e distribuição de combustíveis no país.
Prejuízos do esquema
No total, são mais de 350 alvos em todo o país, entre pessoas físicas e jurídicas, suspeitos de crimes contra a ordem econômica, adulteração de combustíveis, crimes ambientais, lavagem de dinheiro, fraude fiscal e estelionato.
O PCC agia na importação irregular de produtos químicos para adulterar os combustíveis. O setor estima impacto em cerca de 30% dos postos em todo o estado de São Paulo, em torno de 2.500 estabelecimentos.
A Receita Federal também identificou ao menos 40 fundos de investimentos, com patrimônio de R$ 30 bilhões, controlados pelo PCC. Segundo o órgão, as operações aconteciam justamente no mercado financeiro de São Paulo, através de membros infiltrados na Avenida Faria Lima.
Esses fundos de investimentos foram utilizados como estruturas de ocultação de patrimônio, afirmam os auditores federais.
Mais de 350 alvos – entre pessoas físicas e jurídicas – são suspeitos de crimes contra a ordem econômica, adulteração de combustíveis, crimes ambientais, lavagem de dinheiro, fraude fiscal e estelionato.
Funcionamento do esquema
De acordo com as investigações, um dos principais eixos da fraude investigada passa pela importação irregular de metanol. O produto, que chega ao país pelo Porto de Paranaguá (PR), não é entregue aos destinatários indicados nas notas fiscais.
Em vez disso, é desviado e transportado clandestinamente, com documentação fraudulenta e em desacordo com normas de segurança, colocando em risco motoristas, pedestres e o meio ambiente.

O metanol, altamente inflamável e tóxico, é direcionado a postos e distribuidoras, nos quais é utilizado para adulterar combustíveis, gerando lucros bilionários à organização criminosa.
Segundo eles, consumidores estariam pagando por volumes inferiores ao informado pelas bombas (fraude quantitativa) ou por combustíveis adulterados fora das especificações técnicas exigidas pela ANP (fraude qualitativa).
Proprietários de postos de gasolina que venderam seus estabelecimentos comerciais para a rede criminosa também não receberam os valores da transação e foram ameaçados de morte, caso fizessem qualquer tipo de cobrança.
“O produto e proveito das infrações econômicas e penais foram realocados em uma complexa rede de interpostas pessoas que ocultam os verdadeiros beneficiários em camadas societárias e financeiras, especialmente em shell companies, fundos de investimento e instituições de pagamento”, explicam os membros do MP-SP.
“Parcela substancial desses recursos sem lastro financiou a aquisição de usinas sucroalcooleiras e potencializou a atuação do grupo que absorveu em sua estrutura criminosa distribuidoras, transportadoras e postos de combustíveis”, completaram.
Fonte: G1 Rio Preto
Fotos: Divulgação/Receita Federal