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Lula defende pacto estratégico com a Índia sobre terras raras como ‘resposta ao unilateralismo global’

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 Presidente Lula durante cerimônia oficial de boas-vindas no Palácio Presidencial (Rashtrapati...

Durante uma visita oficial à Índia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reforçou o compromisso do Brasil em fortalecer o que ele denomina de Sul Global, através de parcerias estratégicas. Em pronunciamento após encontro com o primeiro-ministro indiano Narendra Modi, Lula destacou a importância de acordos bilaterais, com ênfase particular na cooperação sobre minerais críticos e terras raras, posicionando tal movimento como uma ‘resposta ao unilateralismo comercial’ que caracteriza parte do cenário geopolítico atual. Essa postura reflete uma busca ativa por maior autonomia e influência para nações emergentes em um sistema global cada vez mais polarizado.

A parceria entre Brasil e Índia é vista pelo governo brasileiro como um pilar para a construção de uma ordem multipolar, onde a voz de países em desenvolvimento tenha peso significativo. O presidente sublinhou a necessidade de o Mercosul e a Índia, por exemplo, buscarem acordos de livre-comércio com blocos como a União Europeia, como forma de garantir espaço em meio às disputas entre potências consolidadas, como Estados Unidos e China. Essa estratégia visa diluir a concentração de poder e fomentar um ambiente de comércio mais justo e diversificado.

Minerais Críticos e Terras Raras: Uma Chave Geopolítica Estratégica

O acordo sobre minerais críticos e terras raras desponta como um dos pontos mais relevantes da agenda bilateral. As terras raras são um grupo de 17 elementos químicos essenciais para a fabricação de alta tecnologia, incluindo smartphones, veículos elétricos, turbinas eólicas, equipamentos médicos e sistemas de defesa. Seu controle é uma questão de segurança nacional e estratégica, dada a crescente demanda e a concentração da produção em poucos países, notadamente a China, que domina cerca de 60% da produção global. Para o Brasil, com um vasto potencial geológico ainda pouco explorado nesse setor, e para a Índia, com sua crescente indústria de tecnologia, a cooperação abre caminho para a redução da dependência externa e a construção de cadeias de suprimentos mais resilientes.

A exploração e o processamento desses minerais são complexos e envolvem tecnologias avançadas, o que torna a cooperação bilateral entre países com capacidades complementares fundamental. Esse pacto não se restringe apenas à dimensão comercial, mas abrange aspectos de pesquisa, desenvolvimento tecnológico e troca de expertise. É um movimento que posiciona Brasil e Índia como atores relevantes na corrida por recursos estratégicos, buscando equilibrar as forças no tabuleiro geopolítico e assegurar seus próprios interesses de desenvolvimento tecnológico e econômico.

A Força do Sul Global em um Mundo Multipolar

A visão de Lula de um ‘Sul Global’ fortalecido ressoa com a crescente busca por uma ordem multipolar, onde a influência não esteja concentrada em um ou dois polos. Brasil e Índia, membros dos BRICS e países de vastas populações e economias em ascensão, exemplificam essa nova configuração. Ambos são defensores do multilateralismo e da diplomacia como ferramentas para a resolução de conflitos e a promoção da paz, em contraste com o que o presidente classifica como unilateralismo comercial.

Essa ‘sintonia’ se traduziu na assinatura de diversos acordos de cooperação, não apenas no âmbito dos minerais, mas em áreas cruciais para o desenvolvimento sustentável e inclusivo. A aliança é descrita por Lula como o encontro da ‘farmácia com o celeiro do mundo’, uma metáfora que ilustra a complementariedade entre a potente indústria farmacêutica indiana e a força agropecuária brasileira, fundamentais para a segurança alimentar e a saúde global.

Sinergias Econômicas e Sociais: Da Tecnologia à Saúde

A cooperação bilateral abrange uma gama diversificada de setores estratégicos. No campo da tecnologia, Lula ressaltou a notável evolução indiana em áreas de ponta, como tecnologia da informação, inteligência artificial, biotecnologia e exploração espacial. A ‘Parceria Digital para o Futuro’ entre os países reflete o compromisso mútuo de utilizar a tecnologia como motor para o desenvolvimento inclusivo, promovendo a troca de conhecimentos e a criação de soluções conjuntas que beneficiem suas populações.

Na área da saúde, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) assinou acordos para pesquisa e produção local de insumos estratégicos, incluindo a vacina para tuberculose e medicamentos oncológicos, imunossupressores e para doenças negligenciadas e raras. Essa iniciativa é vital para fortalecer a cadeia produtiva da saúde em ambos os países, reduzindo a dependência externa e garantindo o acesso a tratamentos essenciais. Outro destaque é a Aliança Global para Biocombustíveis, encabeçada por Brasil, Índia, Japão e Itália, que busca quadruplicar o uso de combustíveis sustentáveis globalmente, um passo significativo na agenda climática e na busca pela segurança energética.

A agenda de cooperação se estende à defesa, com a abertura do escritório da Embraer em Nova Délhi, e ao turismo, com a ampliação da validade dos vistos de turismo e negócios de cinco para dez anos, visando aumentar o fluxo de pessoas e o intercâmbio cultural. Esses movimentos consolidam uma parceria robusta, capaz de enfrentar os desafios de um cenário global turbulento através do aprofundamento do diálogo e da colaboração mútua.

Ambições Comerciais e o Caminho da Paz Global

O acúmulo de parcerias e a sintonia diplomática entre Brasil e Índia visam impulsionar o comércio bilateral. O Brasil é o maior parceiro comercial da Índia na América Latina, e as nações estabeleceram a meta de US$ 20 bilhões para o intercâmbio. No entanto, o fluxo bilateral já havia superado US$ 15 bilhões em projeções discutidas durante a visita, impulsionando Lula a sugerir uma revisão ambiciosa do objetivo, elevando-o para US$ 30 bilhões. Esse crescimento reflete o potencial econômico e a complementaridade entre as duas economias.

Finalmente, o discurso de Lula na Índia sublinhou a importância da cooperação bilateral para a construção de um mundo mais pacífico. Tanto o presidente brasileiro quanto o primeiro-ministro Modi reforçaram a necessidade de perseverar no caminho da paz, com menções ao apoio aos esforços para o fim da guerra na Ucrânia e a urgência de aliviar o sofrimento do povo palestino. A declaração repudiou os atentados na Caxemira, diferenciando terrorismo de desafios de segurança pública. Para Lula, as únicas ‘guerras’ que a humanidade deve travar são contra a fome, a pobreza e a degradação ambiental, reforçando a visão de que não pode haver desenvolvimento sustentável e justo em um mundo conflagrado.

Para continuar acompanhando as análises aprofundadas sobre política internacional, economia e os desdobramentos das relações entre países emergentes, o RP News oferece cobertura completa e contextualizada. Mantenha-se informado sobre como esses acordos impactam o Brasil e o cenário global. Acompanhe nossas notícias e artigos para entender a relevância de cada movimento no complexo panorama mundial.

Fonte: https://jovempan.com.br

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