Uma foliã de 38 anos denunciou ter sofrido transfobia na noite de sexta-feira (13) em São José do Rio Preto (SP) durante um evento de carnaval promovido pela prefeitura.
Segundo a vítima, Renata Quintino Zequini, que é mulher trans, os seguranças do evento, que aconteceu no Recinto de Exposições “Alberto Bertelli Lucatto”, a impediram de usar o banheiro feminino. Eles alegaram que apenas mulheres cisgênero poderiam acessar o local.
Em entrevista ao g1, Renata contou que já havia enfrentado constrangimento na entrada do CarnaVirou. Ao se dirigir à fila destinada à revista feminina, foi orientada por uma segurança a se deslocar para a fila dos homens. Após insistir duas vezes, a funcionária acabou permitindo que ela permanecesse na fileira destinada às mulheres.

Dentro do evento, Renata conseguiu usar o banheiro feminino pela primeira vez sem problemas. No entanto, ao tentar em um segundo momento, foi abordada por um segurança, que exigiu documento com nome feminino para liberar o acesso.
“Ela disse que eu só poderia usar o banheiro se mostrasse um documento. Respondi que mostraria, mas não entendia o motivo, já que eu era uma mulher. Mesmo mostrando o documento, ela disse que eu não poderia usar. Me revoltei e afirmei que iria usar sim, entrei na cabine”, relatou.
O g1 questionou os órgãos mencionados na denúncia. Em nota, a Guarda Civil Municipal informou que não houve orientação da corporação para impedir o acesso de mulheres trans ao banheiro feminino durante o CarnaVirou.
A Polícia Militar, por sua vez, não havia retornado os questionamentos até a última atualização desta reportagem.
Já a Prefeitura declarou que, ao tomar conhecimento do caso, determinou imediata apuração dos fatos e reforço das orientações e procedimentos de conduta junto às equipes envolvidas.
Renata afirma que, enquanto estava no banheiro, ouviu pessoas — possivelmente seguranças — debochando e perguntando: “Onde está a Xuxa? Ela já saiu da cabine? Tira ela da cabine”.
Temendo por sua integridade física, a mulher iniciou uma transmissão ao vivo nas redes sociais. Pela imagem, é possível ver e ouvir a discussão com um segurança, que afirma ter recebido orientação de que pessoas trans só poderiam usar o banheiro correspondente ao gênero indicado no documento.
Renata, que possui documento de identidade com o nome de batismo, contestou a restrição e disse que a lei garante o direito de mulheres trans usarem o banheiro feminino. Segundo ela, em seguida, o segurança acrescentou que a ordem teria partido de agentes da Guarda Civil Municipal (GCM) e de policiais militares.
“Eu vou usar o banheiro feminino. Se eu usar o masculino, posso ser assediada. A lei garante meu direito, porque eu sou mulher trans”, reforçou.
O carnaval
Com investimento de R$ 6 milhões, o carnaval promovido pela Prefeitura de São José do Rio Preto começou na sexta- feira e termina nesta terça-feira (17).
Artistas renomados como Ana Castela, Simone Mendes, Mari Fernandez, Maiara e Maraisa, além do grupo Bonde do Tigrão se apresentam na festa. A pista tem entrada solidária. Já os camarotes e espaços exclusivos são pagos e estão sob a responsabilidade de uma empresa terceirizada.
Veja a íntegra das notas
A Guarda Civil Municipal esclarece que não houve qualquer orientação por parte da Corporação para impedir o acesso de mulheres transgênero ao banheiro feminino durante o evento CarnaVirou.
A Prefeitura de São José do Rio Preto informa que ao tomar conhecimento sobre a situação de transfobia e preconceito ocorrida em 13/02, determinou imediata apuração dos fatos, bem como o reforço das orientações e dos procedimentos de conduta junto às equipes envolvidas, reafirmando que todas as ações institucionais devem ser pautadas no respeito à diversidade e a dignidade das pessoas.
O CarnaVirou 2026 é espaço de respeito, pluralidade, inclusão, segurança e celebração coletiva. Não serão toleradas atitudes que contrarie esses princípios ou quaisquer outras formas de preconceito de origem, raça, etnia, gênero, cor e idade em consonância com as garantias constitucionais.
Fonte: G1