Proposta alternativa foi apresentada a Secretaria de Parcerias em Investimentos. Empresários dizem que edital do Detran vai prejudicar cidadãos, trabalhadores, empresários, prefeituras e o próprio Estado.
Entidades que representam empresários e trabalhadores do setor de pátios de recolhimento e guarda de veículos apreendidos em São Paulo alertam que o modelo de concessão proposto pelo Detran-SP pode elevar em até 300% as tarifas cobradas dos cidadãos. Segundo os representantes, o edital concentra a concessão em apenas sete lotes, com outorgas próximas de R$ 200 milhões, o que inviabilizaria a participação de pequenas empresas e favoreceria grandes grupos econômicos.
Em reunião com o secretário estadual de Parcerias e Investimentos, Rafael Benini, empresários apresentaram uma proposta alternativa, elaborada pela consultoria Axion, que sugere a divisão em 16 lotes regionais. O estudo aponta benefícios como maior transparência, equilíbrio logístico e ambiental, além de manutenção das receitas municipais. Prefeituras poderiam perder mais de R$ 15 milhões anuais caso o modelo do Detran seja implementado, afetando serviços como manutenção de viaturas, sinalização e programas de educação no trânsito.
Entre as críticas, estão a redução do número de pátios, obrigando motoristas a percorrer até 250 km para retirar veículos, e a ausência de absorção dos custos da Polícia Civil, que gasta cerca de R$ 30 milhões por ano com remoção e estadia de automóveis. Empresários também denunciam superlotação dos pátios, queda no número de leilões — de 90 mil veículos por ano antes da pandemia para apenas 30 mil desde 2022 — e riscos de incêndios.
A proposta alternativa defende a municipalização dos serviços, já em curso em algumas cidades, com sistemas digitais existentes que permitem fiscalização em tempo real. Para os empresários, esse modelo gera mais agilidade, movimenta a economia local e preserva empregos. Eles também afirmam que o atual edital ameaça a sobrevivência de milhares de trabalhadores e empresas do setor.
A Associação Paulista dos Municípios apoia as entidades e alerta prefeitos sobre os impactos financeiros e sociais da proposta do Detran. Já o governo estadual, por meio da Secretaria de Parcerias e Investimentos, afirma que o projeto moderniza o sistema, garante tarifas únicas, infraestrutura mínima e que 90% das remoções ocorrerão em até 30 km do ponto de apreensão. O Estado promete arcar com o custo do novo sistema digital, desenvolvido pela Prodesp, e nega favorecimento a grupos específicos.
O Grupo Júlio Simões, citado por empresários como possível beneficiário da concessão, declarou que não comenta alegações “genéricas e infundadas” e reafirmou seu compromisso com padrões de conformidade e governança.
Da Redação