Criação da renomada coreógrafa argentina Brenda Angiel que propõe uma nova e ousada leitura do tango, tanto na dança quanto na música, o espetáculo “8cho” abre o Festival Internacional de Teatro de São José do Rio Preto (FIT Rio Preto), reunindo 14 artistas no palco, sendo sete bailarinos e sete músicos. A apresentação é gratuita e acontece no dia 17 de julho, quinta-feira, às 20h, no Anfiteatro Nelson Castro (Parque da Represa), sem necessidade de retirar ingresso.
Realizado pela Prefeitura Municipal de São José do Rio Preto, por meio da Secretaria Municipal de Cultura, o FIT Rio Preto chega em 2025 aos 56 anos de história e 23 edições internacionais. De 17 a 26 de julho, o festival promove uma programação totalmente gratuita e descentralizada, com 47 obras e 111 apresentações em teatros, ruas e praças de diferentes regiões da cidade. O lema da edição 2025 reforça esse propósito: “O FIT é de todos e cada canto é um palco”. Participam artistas de nove estados brasileiros e da Alemanha, Argentina, Chile, México e Uruguai.
Sobre o espetáculo
Em “8cho”, os intérpretes dançam suspensos presos por cordas e arreios, criando coreografias aéreas que desafiam a gravidade, proposta inédita para o universo do tango. O espetáculo cria uma espacialidade inovadora ao utilizar técnicas de dança contemporânea e aérea mantendo a essência do tango tradicional: paixão, tensão, sensualidade e nostalgia.

“Sempre fui apaixonada pelo tango. Ele faz parte da nossa identidade cultural, está no ar que respiramos em Buenos Aires. Mas eu queria olhar para ele de outra forma, desafiá-lo, tirá-lo do chão — literalmente — e ver o que aconteceria. A ideia de criar 8cho nasceu desse desejo: manter a alma do tango, mas levá-lo para um espaço novo, vertical, suspenso, onde os corpos flutuam, giram, se buscam e se afastam em outras direções”, conta a coreógrafa, que é referência internacional e pioneira da dança aérea.
O nome do espetáculo vem do “ocho”, um dos passos mais emblemáticos do tango, que desenha um oito no chão. A ideia foi transportar esse movimento para o ar, um espaço tridimensional, e investigar o que ele poderia significar quando liberado da gravidade. Os bailarinos do espetáculo são treinados tanto em dança contemporânea quanto em técnicas circenses e acrobáticas, o que permite a execução precisa e artística dos movimentos aéreos.
“A pesquisa foi intensa, física e emocional. Trabalhei com bailarinos incríveis, abertos à experimentação, e com músicos que criaram uma trilha viva, vibrante, entre o tradicional e o contemporâneo. Cada nota, cada movimento suspenso carrega a tensão, a sensualidade e a melancolia que são a alma do tango.”
A trilha sonora original traz arranjos que misturam tango tradicional, acústico e eletrônico, especialmente compostos para o espetáculo, com direção musical de Juan Pablo Arcangeli (membro fundador do grupo Astilleros) e Martin Ghersa. Integrada por músicos da nova geração, com destaque para o cantor Alejandro Guyot, a orquestra ao vivo contribui para uma experiência sonora vibrante e atual.
Linguagem universal
A obra também celebra as três décadas de trajetória da coreógrafa e de sua companhia com a dança aérea. “É uma obra que me representa profundamente, porque une a paixão pelo voo com a raiz cultural mais forte da minha terra. E é emocionante ver como esse espetáculo dialoga com públicos tão diversos em diferentes partes do mundo. O tango, afinal, é uma linguagem universal — ainda mais quando se atreve a voar”, afirma a artista.
“8cho” já foi apresentado em mais de 10 países, em festivais como o BAM – Brooklyn Academy of Music (EUA), Festival Internacional de Sibiu (Romênia), Festival La Mercè (Espanha) e Festival Context (Rússia). O jornal The New York Times já descreveu a coreografia como “tango na lua”.
Uma novidade desta edição do FIT Rio Preto é que o Anfiteatro Nelson Castro terá apresentações em duas noites e a companhia argentina retorna ao palco às margens da Represa no dia 18 de julho, sexta-feira, às 17h30, com outra obra: “MOVI”, criação para todas as idades. Trata-se de uma experiência imersiva na qual corpos dançantes suspensos no ar e imagens se fundem, surpreendendo com um jogo de luz, videomapping e música original.
*Com informações da Prefeitura de Rio Preto
Foto: Divulgação