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Banco do Brasil Reporta Lucro de R$ 20,68 Bilhões em 2025, Impactado por Novas Regras Contábeis e Inadimplência

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© Marcelo Camargo/Agência Brasil

O Banco do Brasil (BB) registrou um lucro líquido ajustado de R$ 20,685 bilhões no ano de 2025, conforme balanço divulgado recentemente pela instituição financeira. Este resultado representa uma queda de 45,4% em comparação com o ano anterior. A retração é atribuída principalmente à entrada em vigor de novas regras contábeis e ao aumento da inadimplência, fatores que exerceram pressão significativa sobre as finanças do banco.

Desempenho Financeiro Trimestral e Anual

No último trimestre de 2025, de outubro a dezembro, o Banco do Brasil apurou um lucro de R$ 5,742 bilhões. Este montante reflete um recuo de 47,2% quando comparado ao mesmo período de 2024. Contudo, em uma análise sequencial, o desempenho do quarto trimestre mostrou uma recuperação robusta, com um aumento de 51,7% em relação ao terceiro trimestre de 2025, indicando uma melhora na dinâmica operacional ao final do ano.

As Novas Regras Contábeis e Seu Impacto

Um dos principais elementos que moldaram o balanço de 2025 foi a implementação de uma resolução do Conselho Monetário Nacional (CMN), aprovada em 2021 e que entrou em vigor em janeiro de 2025. Essa normativa alterou o modelo de provisões que as instituições financeiras devem fazer para cobrir possíveis perdas com calotes, migrando para um sistema de 'perda esperada' baseado em estimativas. Essa mudança na metodologia de reconhecimento de despesas e receitas teve um impacto direto nos resultados, levando o Banco do Brasil a deixar de reconhecer R$ 1 bilhão em receitas de crédito, influenciando negativamente o lucro apurado.

Desafios da Inadimplência no Cenário Nacional

A inadimplência, um indicador crucial da saúde financeira, também apresentou elevação. O índice que considera atrasos superiores a 90 dias subiu de 3,16% em dezembro de 2024 para 5,17% no encerramento de 2025. Este aumento foi particularmente influenciado por dois segmentos-chave para o banco: o agronegócio, onde o BB detém liderança na concessão de crédito, e a carteira de cartões de crédito para pessoas físicas. No agronegócio, a inadimplência da carteira encerrou o ano passado em 6,09%, um acréscimo de 1,25 ponto percentual apenas no último trimestre de 2025. Já na carteira de pessoas físicas, o índice atingiu 6,56%, com uma elevação de 0,55 ponto percentual no período.

Crescimento da Carteira de Crédito e Estratégias do Banco

Apesar do cenário de juros elevados e aumento da inadimplência, o Banco do Brasil demonstrou capacidade de expandir sua carteira de crédito em 2025, impulsionado principalmente pelo segmento de pessoas físicas. A carteira de crédito ampliada do banco alcançou R$ 1,296 trilhão ao final do ano, um crescimento de 1,4% no último trimestre e de 2,5% no acumulado anual. A presidente do Banco do Brasil, Tarciana Medeiros, destacou o sucesso de iniciativas como o Programa Crédito do Trabalhador, que unifica o crédito consignado para trabalhadores da iniciativa privada, com R$ 13 bilhões desembolsados, reforçando a estratégia de crescimento em linhas com melhor retorno ajustado ao risco.

Distribuição por Segmentos

A distribuição da carteira de crédito por segmentos reflete as prioridades e a performance do banco:

• <b>Pessoa Física:</b> Totalizou R$ 356,96 bilhões, um salto de 7,6% em um ano. Destaque para a nova modalidade de crédito consignado para CLT, que injetou R$ 14,3 bilhões no mercado.

• <b>Pessoa Jurídica:</b> Alcançou R$ 455,15 bilhões, com um crescimento anual de 0,6%. Dentro deste segmento, a carteira para grandes empresas expandiu 4,3% em 12 meses, somando R$ 260,4 bilhões, enquanto a carteira para micro, pequenas e médias empresas teve um recuo de 7,9%.

• <b>Agronegócios:</b> Atingiu R$ 406,13 bilhões, com alta de 2,1% em um ano. No âmbito do Plano Safra 2025/2026, o BB liberou R$ 103,9 bilhões em crédito, além de R$ 12,3 bilhões para a cadeia de valor do agronegócio.

• <b>Carteira de Crédito Sustentável:</b> Somou R$ 415,1 bilhões, representando 32% do crédito total do banco e registrando um crescimento de 7,3% em 12 meses, evidenciando o compromisso do BB com iniciativas de impacto social e ambiental positivo.

Receitas de Serviços e Despesas Administrativas

As receitas de prestação de serviços do Banco do Brasil em 2025 totalizaram R$ 34,813 bilhões, indicando uma leve queda de 1,9% em relação ao ano anterior. Contudo, o banco enfatizou que essa redução foi mitigada pelo crescimento em áreas como administração de fundos (+13,5%), taxas de administração de consórcios (+19,3%) e rendas do mercado de capitais (+7,9%), mostrando diversificação e resiliência em fontes de receita. Em contrapartida, as despesas administrativas somaram R$ 34,813 bilhões, um aumento de 5,1% em comparação com 2024, justificado pelo BB por reajustes salariais e investimentos estratégicos em tecnologia e cibersegurança.

Projeções Otimistas para 2026

Para 2026, o Banco do Brasil projeta uma recuperação de seus resultados. A estimativa para o lucro líquido ajustado situa-se entre R$ 22 bilhões e R$ 26 bilhões. Em relação à carteira de crédito, a expectativa é de um crescimento geral entre 0,5% e 4,5%. Especificamente, prevê-se uma alta de 6% a 10% para pessoas físicas, uma variação entre queda de 2% e alta de 2% para o agronegócio, e entre queda de 3% e alta de 1% para empresas. As receitas de prestação de serviços são projetadas para crescer entre 2% e 6%, enquanto as despesas administrativas devem aumentar de 5% a 9%.

O ano de 2025 representou um período de adaptação e desafios para o Banco do Brasil, marcado pela influência de novas regulamentações contábeis e pelo cenário de inadimplência. No entanto, a instituição demonstrou resiliência com a expansão estratégica de sua carteira de crédito e uma gestão ativa de suas operações, culminando em projeções otimistas que sinalizam uma forte recuperação para o ano vindouro.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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